Secretaria de Cultura elenca aproximação com a periferia como meta para 2022 e fala sobre música de 'mano' | Campinas e Região


À frente da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas (SP) desde junho de 2020, Alexandra Caprioli classifica a descentralização de iniciativas culturais como meta para 2022, com o intuito de promover uma aproximação entre a pasta e a periferia. A secretária relembra o episódio no se qualificam também o homem em dúvida ao interrogatório e a música de seu filho, em novembro, por ela como um "divisor de águas".

Ao longo desta semana, o g1 publica uma série de entrevistas com cinco dos secretários da administração municipal de Campinas – Educação, Saúde, Cultura, Transportes e Assistência Social – para saber qual o balanço que esperam de 2021 e o que se espera de 2022. Veja abaixo como reportagens anteriores:

  • Secretário de Transportes melhorar informação de terminais e tecnologia para
  • Secretário de Saúde 'desespero' por leitos Covid e prevê agilizar logística de remédios

No balanço feito entrevista, Alexandra, que é a terceira entrevista da série, aborda, ainda, a remodelação feita para tornar o Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (Ficc) mais acessível durante 2021 e prevê o ano que vem a decisão sobre " manifestações espontâneas" no Carnaval.

Descentralização e mapeamento cultural

A frequência de chegada de cidades urbanas às periferias de Campinas, com a necessidade de estruturação e criação de parcerias para fazer que a pasta municipal se aproxima dos moradores que estão fora do centro.

Além do fato de que as pessoas periféricas têm menos acesso aos pontos e eventos culturais da metrópole, uma secretária elenca que, atualmente, também é baixo o número de espaços de cultura credenciados à prefeitura nas periferias – o que gera uma centralização de atividades.

"Nosso foco em 2022 é a descentralização da cultura. Talvez seja o projeto mais importante que a gente tem, que é: como a gente faz a cultura chegar por toda a cidade?", diz.

A prefeitura está presente nas periferias da metrópole através de Casas de Cultura, que são credenciadas no município. Um exemplo é a Casa de Cultura Andorinhas, no DIC I, além do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) dos bairros Vila Esperança e Florence.

O ano de 2021 termina com uma avaliação feita pela Cultura que aponta a existência de desigualdade não só de acesso, como de condição – sem sentido de que a pasta tem menos espaços ligados a ela nas periferias.

Com este cenário, a alternativa tem sido procurar aumentar parcerias dentro dos territórios periféricos. A iniciativa esbarra, porém, na falta de informações da própria massa de cultura sobre os recursos locais e na dificuldade de aproximação com certos movimentos.

"A gente tem uma necessidade de estudar essa demografia cultural. Onde estão as pessoas que são as fazedoras de cultura da cidade? A gente sabe que há uma desigualdade de acesso, e isso é estrutural. ter os espaços, mas as pessoas não têm acesso aos recursos que a cultura pode ajudar. Isso é um desafio muito grande. A gente quer fazer nosso mapa cultural", diz.

O que é o mapa cultural?

Secretaria de Cultura de Campinas, Alexandra Caprioli, fala da aproximação com a periferia

Secretaria de Cultura de Campinas, Alexandra Caprioli, fala da aproximação com a periferia

Na explicação de Alexandra, é um mapeamento feito para elencar os recursos da cultura nos territórios periféricos, como quantos espaços de cultura a massa tem, quantos são próprios e quantos são provenientes de parcerias, quantos movimentos culturais existem na cidade, dentre eles.

"Enquanto a gente não tem uma fotografia, não enxerga o todo, a gente também não sabe como investir. Então, essa fotografia, essa presença nos territórios, ela também é muito importante para que a gente tenha essa visão", admite.

Além da falta de uma visão panorâmica dos recursos nas periferias, Alexandra cita que as parcerias, em casos, são recusadas pelos fazedores de eventos determinados, como os bailes funk.

A principal dificuldade citada pela empresa é relacionada com os eventos às condições da prefeitura, como as empresas são formalizadas.

"À medida que o município envolve, e isso tem que acontecer, a gente passa a ter aqueles espaços necessários que eles são formalizados. afastando a parceria com a prefeitura, porque eles enxergam a gente como dificultadores", diz.

As tentativas de aproximação nestes espaços estão sendo feitas, diz a secretária, mas continuam sendo condicionadas a questões como segurança pública e sanitária.

"Não tem gente chegar invalidando a informal. Mesmo como Secretaria Cultura e querendo que várias como a manifestação aconteçam", pontua.

Baile funk provocação aglomeração em meio à pandemia no Parque Oziel, bairro periférico de Campinas (SP), em outubro de 2020 — Foto: Reprodução/EPTV

O que fazer diante deste cenário?

Na Alexandra, existe um "caminho do meio" possível de ser avaliado a partir da distinção entre o clandestino e o informal. Do clandestino, que engloba eventos como os bailes funk, diz que acredita que a aproximação é essencial, que.

"O informal é aquele que não pôde formalizar uma iniciativa por natureza, mas a gente tem um meio termo de muita gente que gostaria de estar próximo do público. que estar mais presente para que não lamente a clandestinidade, para que faça a transformação", diz.

'Adianta ter Porsche e ouvir música de mano?', diz secretária de Cultura de Campinas

'Adianta ter Porsche e ouvir música de mano?', diz secretária de Cultura de Campinas

Em novembro de 21, Alexandra se de 2 anos começou "adicionado ao questionar o filho de ouvir música "mano"?"

"Esse eu considero um divisor de águas. Eu não estava questionando ele, eu estava fazendo uma brincadeira em uma rede particular minha, e esse eu acho que é um aprendizado em dois sentidos. Esse sentido de menosprezar manifestação, mas a gente tem que olhar para si e encontrar onde escondemos nosso racismo. Essa teve a ver com isso", diz.

A secretária que, hoje, entende que teve a intenção de fazer uma "brincadeira" familiar e em um ambiente não profissional, mas que, com a carga que tem, carrega a obrigação de não só ter uma fala adequada e antirracista, como atitudes antirracistas.

"Eu tenho 54 anos e acho que minha fala dessa época. Quando revi o vídeo, eu fiquei decepcionado com a minha fala e procurei manifestar isso. Fiz um pedido de desculpas vem na minha rede social, onde eu disse, depois chamei uma reunião do para desculpas, porque de fato, eu tenho pouco entendimento de uma luta que não minha reconhece",

Uma preocupação, que foi citada por Alexandra, foi vivida à época dos fatos, foi com a deslegitimação da Secretaria de Cultura.

"Pedi para as pessoas não mistura um erro que eu cometi como ser humano, mas não ato de secretária. A Cultura é mais do que meus erros, é composta por servidores que zelam pela diversidade", reforça.

Após o episódio, Alexandra que, além do conselho, se encontrou conta com o Coletivo de Hip Hop de Campinas – grupo que, segundo ela, foi ofendido com a fala já que a música que tocava no vídeo era Poppa, de Notorius BIG, rapper norte-americano assassinado em 1997.

"Foi um processo de me entender ter o direito de ter ideias privadas, mesmo na minha obrigação de garantir a integridade na minha e ações. Foi um aprendizado enorme, mas ele não veio sem sofrimento. Toda vez que uma pessoa se vê exposta, tendo que analisar um racismo que nem sabe que tem, é muito conhecido.

Secretaria de Cultura de Campinas, Alexandra Caprioli, fala da aproximação com a periferia