Quiz: você sabe o que aconteceu em 2021 na região de Campinas?


A Secretaria Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas, divulgada nesta quarta-feira, dia 29, a nova contagem da população em situação de rua no Município. O número aumentou em 13,4% entre 2019 e este ano. Eram 822 e, agora, 932. “Essa contagem é de grande importância para desenvolvermos políticas públicas úteis para essa população”, afirmou Vandecleya Moro, secretária municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos.

Os gestores municipais imaginavam, inclusive, um número maior, que extrapolasse como mil pessoas. O aumento, pelas informações colhidas e percepções dos coordenadores, é que a crise econômica e uma pandemia do novo coronavírus explicam essa alta de 13,4%. Vandecleya Moro fez questão de ressaltar que, muitas vezes, os campineiros que circulam pela cidade têm a impressão de que o contingente é muito maior. “Mas é preciso diferenciar as pessoas que vivem da rua, mas não são da rua”, afirmou, referindo-se àqueles que vão para os lugares públicos em busca de sustento econômico, comida ou algum tipo de ajuda.

A pesquisa de campo ocorreu em 17 de novembro e as impressões são de que a pandemia teve impacto nesse aumento. A contagem ocorre nos serviços públicos municipais e ambientes costumeiramente frequentados pela população em situação de rua. À noite, das 18h à 0h, 15 equipes foram a campo nas cinco regiões da cidade (Sul, Leste, Norte, Noroeste e Sudoeste) e um grupo ficou concentrado no Centro POP Sares 1, na Rua Regente Feijó, para coordenar as atividades e verificar os formulários preenchidos.

Os pesquisadores adotaram um relatório padronizado que foi aplicado em todas as pessoas encontradas em situação de rua. A metodologia adotou o princípio da autodeclaração: os entrevistados se definiram quanto ao gênero, raça etc. Observaram-se todos os protocolos de saúde preconizados para a prevenção da Covid-19.

Moradores em situação de rua no Centro: maioria é homem e usa algum tipo de droga Foto: Leandro Ferreira / Hora Campinas

Perfil

A contagem revelou que a população da população em situação de rua está situada na região Leste de Campinas, que abrange o Centro, com 50,72% do total. A segunda colocação ficou com a região Sul, com 22,97%. A região com menor número de pessoas em situação de rua foi a Noroeste, com 3,34%. Em relação à contagem anterior, a região Leste já predominava com 49%, a região Norte teve 24%, a Sul 22%, a Noroeste 3% e a Sudoeste 2%.

William Azevedo de Souza, coordenador dos Serviços da Proteção Social Especial de Média Complexidade da População da Rua de Campinas, explica que o Centro é uma área que mais historicamente abriga os moradores em situação de rua, em razão de suas peculiaridades e por oferecer como condições de abrigo e ajuda que els buscam. “No geral, todos os grandes centros têm grande concentração de moradores em situação de rua do que outras partes da cidade. O Centro tem um conjunto de ofertas que vai ser do interesse dele, como um bom espaço para dormir à noite ”, pontua Souza.

Em relação ao gênero, a contagem considera uma autodeclaração, do mesmo modo que nas contagens anteriores. A maioria é de homens, com 81,5%; seguido de mulheres, com 16,2%. Mulheres trans representam 0,9%, homens trans são 0,6%. Os que se definiram como homossexuais foram 0,5% e travestis, 0,4%. A população LGBT representa 2,4% do total.

Na contagem de 2019 houve também predominância de pessoas que se declararam do gênero masculino (82%), mulheres representaram 15%. A população LGBT, considerando-se homem cis, mulher cis, homem trans, mulher trans e travesti, somou 3%.

Em relação ao tempo de vivência nas ruas, a maioria (20,1%) está há mais de 10 anos. A seguir há que estão de 2 a 5 anos (19,9%) e de 5 a 10 anos (14,6%). Somados, os que estão há 2 anos ou mais totalizam 54,6%.

Na contagem de 2019, os padrões foram semelhantes. A maioria também era de pessoas com mais de 10 anos na rua (20,5%). O segundo grupo mais expressivo foi o que estava de 2 a 5 anos (18,8%), depois dos 5 a 10 anos (14,1%). O grupo dos que estavam há até 1 mês (12,1%) superava o de 1 a 2 anos (11,8%); os que estavam de 6 meses a 1 ano totalizavam 7,3% e os de 3 meses a 6 meses, 5,4%.

Em relação à faixa etária, a população da população em situação de rua está entre 40 e 49 anos (31,4%). O segundo grupo é o dos com 30 a 39 anos (26,4%). Há 9,1% de idosos (com mais de 60 anos).

Na contagem de 2019, o percentual de pessoas entre 25 e 39 anos foi de 42%, seguido de 29% entre 40 a 49 anos, em terceiro lugar, houve os de 50 a 59 anos, com 17% e, os de 18 a 24 anos somavam 6%. A porcentagem de idosos foi menor em 2019: ficou em 5% e o número de jovens em situação de rua de 18 a 24 anos foi de 6%, porcentagem semelhante à atual, que foi de 5,7%.

Quanto ao nível de escolaridade, a maioria (42%) tem o Ensino Fundamental incompleto. Mesmo representando a maioria, nota-se uma queda nenhum percentual em relação às contagens anteriores. Em seguida há os que têm Ensino Médio completo (17,8%). O terceiro grupo mais comum são os com Ensino Médio incompleto (14,3%).

No quarto grupamento, estão com Ensino Fundamental completo (13,2%) e, a seguir, os não alfabetizados (4,9%). Os que têm Ensino Superior, seja completo (2,8%), seja incompleto (3,1%), chegam a 5,9% dos casos, um aumento em relação a 2019, pois o grupo somava 4%, entre os que terminaram e os que não concluíram.

Em relação à raça, uma contagem apontou 45,1% das pessoas em situação de rua pardos, 29,2% de brancos, 23,9% de pretos, 1% de amarelos e 0,8% de indígenas. Se juntarmos pardos e negros, esse contingente populacional passa a representar 69% da população em situação de rua. O critério de classificação foi autodeclaratório.

Na contagem de 2021, perguntou-se aos entrevistados se foram vacinados ou se já testaram positivo para a Covid-19. A maioria (70,1%) afirmou que tomou a imunizante e a maioria (87,90%) também apresentou que não testou positivo para a doença. A Prefeitura de Campinas planeja uma nova vacinação para esse público em 2022.

Perguntou-se também aos moradores em situação de rua se faziam uso de alguma substância. Dos 932, 181 não responderam. Dos 751 que responderam, 15% disseram que não usam nada e 85%, que correspondeu a 638 entrevistados, disseram que usam.

A maioria das substâncias que usam substâncias afirmadas consumir álcool (64,4%), seguido de tabaco (32,2%); 350 (49,7% dos que declararam usar substâncias) afirmaram consumir mais de uma; 18,3% (129) afirmaram consumir só álcool; 12,8% (90) disseram consumir só crack; 6,5% (46) afirmaram consumir só tabaco; 2,2% (16) disseram só consumir maconha e 0,99% (7) só consumir cocaína.

Um dado também chamou a atenção: aproximadamente 9% dos moradores em situação de rua têm um animal de estimação como companheiro, o que impacta na saúde pública e nas questões de higiene. Vandercleya e William afirmaram que a Prefeitura está atenta a essa questão.

Vandecleya Moro, secretária municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, e William Azevedo de Souza, coordenador dos Serviços da Proteção Social Especial de Média Complexidade da População de Rua de Campinas Foto: Divulgação

Ações sociais

A Prefeitura de Campinas mantém operações especificamente para o atendimento da população em situação de rua. Há uma série de programas: SOS Rua, Mão Amiga, Operação “Amigos no trecho”, Recâmbio, Bagageiro municipal, Abrigos, Casas de Passagem, Centros Pop Sares e Consultório na rua, este último que oferece cuidados em saúde, com foco para doenças ou condições que mais atingem os moradores em situação de rua, como tuberculose, alcoolismo e combate ao crack e outras drogas. Esse programa orienta essa população sobre DSTs, realiza curativos, testes de diabetes e pressão de pressão.



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