Quem corre cansa, quem anda alcança – por Thiago Pontes – Hora Campinas


UMA frase do título ouvi de um senhor de 80 anos. Ele me disse que a mãe dele já usava tal expressão quando ele era uma criança, ou seja, podemos concluir que é uma frase de longa data e tradição. O que você acha dela? “Quem corre cansa, quem anda alcança”. Uma frase que particularmente tenho adotado como uma filosofia de vida. Já fui um homem de sonhar, idealizar, ter lá meus grandes objetivos e chegava a perder o sono de tantos planos que tinha em mente, de tantas tarefas que eu mesmo criava para minha rotina, definir cumprir tais objetivos por mim extrair.

Foi de tanto pensar no futuro que passai por uma fase delicada da minha vida, e gostaria de conversar com você sobre isso. Vamos lá?

Um conjunto de hábitos traz consigo suas consequências. É como a teoria da causalidade de Aristóteles, filósofo de grande nome de Grécia antiga. Segundo ele, há uma causa e para ela há um efeito. Logo, percebe-se que uma rotina de vida acarretará em efeitos. Simples assim! Efeitos esses desejados ou indesejados, efeitos 100% programados ou 100% negligenciados.

Quando você fuma, por exemplo, sabe dos riscos de desenvolver um câncer no pulmão, é um possível efeito para uma causa, cabe a você desejar lutar para parar com esse hábito. Pois bem, nós estabelecemos nossos hábitos. Creio eu que, por experienciar efeitos indesejados em minha vida, devêssemos nos policiar para que dirigíssemos a nossa vida e não o contrário, que não fossemos dirigido pelos hábitos que temos. Sou professor, e ando espantado com a quantidade de alunos de baixa idade que já existe de acompanhamento psicológico, num quadro muitas vezes associado à ansiedade.

Esquecemos de viver o hoje em detrimento do amanhã e aqui vai minha crítica aos livros de autoajuda original em que estimulam você a se sacrificar com veemência de sua vida atual para atingir o tão almejado “sucesso”… Que sucesso é esse que lhe custa a saúde e paz?

Eu sinceramente passo a bola, desse sucesso eu literalmente fujo! Estou numa fase da vida em que estou focando em acordar bem, viver o dia e dormir satisfeito com meus pensamentos e ações… Há sim alguns planos, mas nada que me canse o prazer de viver e desfrutar das singelezas do momento presente, do instante que , quando aproveitado de verdade, com entrega se torna eterno. Torna-se atemporal.

Quando uma fatura da vida está em suas mãos, vendo que teve como oportunidade na sua frente, tanto de escolher o presente como de escolher o futuro, ou que espera sentir? Haverá arrependimentos? Deixa eu lhe perguntar: conhece algum comércio, loja, supermercado que venda “tempo”? Isso mesmo que você leu, ritmo!

Pois passamos a vida toda correndo atrás de algo e depois que a conquistamos percebemos que toda a graça se perde. É como já havia sugerido o grande filósofo Platão ao dizer que desejamos o que ainda não temos, depois da conquista a graça se perde.

Comecei a pensar nisso logo cedo quando trabalhava em um grande banco de renome nacional, ganhando um bom salário para um jovem, mas ativa infeliz, pensando comigo justamente isso: “Aonde irei comprar tempo?”.

A reflexão está feita, a provocação exposta, agora compete a você interpretar o que foi dito e escolher que fazer daqui para frente. Como alterar alguns hábitos, como os detalhes do presente, como não ser refém dos planos vindouros…

Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)



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