Projeto de arte periférica homenageia mestres da cultura negra de Campinas em documentário | Campinas e Região


Um coletivo de arte periférica de Campinas (SP) lança neste sábado (20) o documentário "Aquilombamento Margem Cultural: histórias negras contadas". O filme narra a trajetória de seis personagens da cultura negra que integram a história da cidade, e marca o Dia da Consciência Negra.

A estreia acontece em um evento aberto ao público, com retirada de ingressos online a partir desta sexta-feira (19), de forma gratuita.

Serão seis apresentações musicais, além de exposição, feira de artesanato e uma roda de conversa com os mestres entrevistados: Rosa Pires Sales (Urucungos, Puítas e Quinjengues), Alessandra Ribeiro (Casa de Cultura Fazenda Roseira), Bene de Moraes (Casa de Cultura Andorinhas), Andrea Mendes (Ibaô e Pretação), Mestre Topete (Escola de Capoeira Angola Resistência) e TC Silva (Casa de Cultura Tainã).

O lançamento tem início às 16h50 no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Mestre Alceu, localizado na Rua Lasar Segall, 110, no Jardim Florença.

Produção preta e periférica

Em entrevista ao g1, o músico e gestor do coletivo responsável pela produção, Hellio Augusto, definiu que o filme é marcado pelo caráter geracional da esfera cultural na cidade e tem relação intrínseca com a música e a arte produzidas pelos entrevistados.

"O documentário surgiu da necessidade da integração entre os jovens da cultura preta da nossa cidade com os mestres mais velhos, as pessoas que corrigem antes e continuam o movimento."

Hellio Augusto é músico e produtor cultural em Campinas (SP) e foi responsável pelo documentário – Foto: Julia Toledo

O documentário foi produzido sem financiamento externo, apenas com o esforço da equipe de produção composta por Bruna Camargo, Henrique Manchuria e Miguel Euzébio.

Hellio contou que usa seu salário de músico da Orquestra de Valinhos (SP) para financiar uma produtora. "É um projeto totalmente independente, contei com a ajuda de pessoas que somaram nas etapas de produção, edição e finalização do filme".

De acordo com Hellio, a intenção do coletivo é submétrica o projeto a editais de incentivo cultural para estender as gravações e transformar o produto em uma minissérie, aprofundando as investigações e vivências de cada um dos entrevistados.

Além disso, o produtor pretende expor o filme em festivais de cinema e documentário independentes e ambientes de formação, como ONGs, escolas e universidades. "O documentário é uma forma de consolidar e passar pra frente as falas e pensamentos dessas pessoas", completou.

Mestres e mestras da cultura negra

No filme, TC relata como começou a trabalhar a questão racial através da música, sobre a fundação do Movimento Negro Unificado em 1978 e sua atuação política durante a ditadura militar.

Dona Rosa conta particularidades da história de Raquel e Solano Trindade, importantes escritores negros, e sobre a tradição do samba de bumbo e do samba de lenço na cidade.

Bene narra com detalhes sobre como começou a tocar samba de bumbo a partir dos ensinamentos de Alceu Estevam, um dos fundadores do grupo de música e teatro Urucungos, Puítas e Quijengues.

Andrea explana sua trajetória como artista visual e seu projeto Pretação de fomento ao protagonismo de mulheres negras através da arte, e Alessandra Ribeiro conta como surgiu a Fazenda Roseira e como o Jongo Dito Ribeiro conseguiu um posse do terreno e mantém o espaço cultural em funcionamento até hoje.

Mestre Topete rege uma roda de capoeira Angola e fala sobre a história da manifestação artística e de resistência em Campinas.

* Sob supervisão de Patrícia Teixeira

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