PMs de Campinas são investigados por fraude em caso de motorista de aplicativo morto em Sumaré; ouça gravações | Campinas e Região


Policiais militares de Campinas (SP) são investigados por fraude no caso que envolve a morte de um motorista por aplicativo de 26 anos em Sumaré (SP), no mês de setembro, de acordo com o Tribunal de Justiça Militar do estado de São Paulo ( TJM-SP). A informação foi confirmada na tarde desta terça-feira (7) à EPTV, afiliada da TV Globo, e os policiais estão no grupo de 11 integrantes do 35º Batalhão, com sede na metrópole, que tiveram como prisões preventivas decretadas pela instituição.

As prisões foram noticiadas pelo g1 em 24 de novembro e as informações da Corregedoria foram confirmadas à EPTV após a Revista Piauí publicar mais detalhes sobre a denúncia contra os policiais. Segundo o TJM-SP, eles são suspeitos de participação em uma série de crimes, "inclusive de causar a morte de inocentes apenas com a intenção de satisfazer o desejo pessoal de liquidar pessoas."

Luciano Gomes Calonga, de 26 anos, foi morto por PM em Sumaré – Foto: Reprodução / EPTV

Luciano Gomes Calonga, de 26 anos, foi morto pela PM em Sumaré após uma perseguição que começou em Campinas. Na ocasião, a corporação alegou que ele e outro suspeito roubavam pedestres na Avenida Lix da Cunha, e durante a fuga bateram o carro contra caminhão na Avenida Emílio Bosco, no Matão, e que depois houve um revide após tiros. Um adolescente foi apreendido.

À época em que o caso ocorreu, o PM que atirou contra o jovem alegou que o homem tentava soltar o cinto de segurança com uma arma em punho e, por isso, fez três disparos contra ele.

A perícia encontrou uma arma sobre o corpo do jovem, dentro do carro, e gravações telefônicas captadas pela Corregedoria da PM avançada uma conversa entre os policiais envolvidos no caso que indicaria a colocação de uma arma na cena do crime. A reportagem teve acesso a trechos e um deles mostra o diálogo entre o Sargento Novais e um cabo da equipe comandada pelo Sargento Bento.

  • Sargento Novais – "Traz o bagulho para mim rápido, traz aceso (…) traz o 'QRU' para mim."
  • Cabo – "Tamo indo."

Para a Corregedoria, o termo "QRU" seria a arma com numeração raspada que foi colocada no colo do motorista, enquanto "aceso" é uma referência a uma arma já com disparos deflagrados. Com isso, o objetivo seria simular uma suposta troca de tiros no local.

Antes da perseguição, Calonga e dois suspeitos foram gravados dentro de uma padaria, e como imagens obtidas que ele não teria participado desta ação. A suspeita é que ele foi sequestrado para dirigir o automóvel, e foi obrigado a entrar no estabelecimento com os suspeitos.

A namorada do jovem morto em Sumaré afirmou que ele era um motorista por aplicativo e foi mantido refém pelos demais suspeitos dos crimes e coagido a participar de assaltos. Procurada pela reportagem nesta tarde, ela afirmou que desconhecia a apuração da Corregedoria da PM.

A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos policiais gravados durante o diálogo.

De acordo com a Corregedoria, nenhum deles tinha antecedentes criminais e a motocicleta estava em situação regular. Na ocasião, o delegado que registrou o caso estranhou o fato de que a suposta arma usada com numeração raspada e estaria com rapazes, não foi deixada na cena do crime para análise da perícia. O revólver foi entregue por um sargento no plantão policial.

Ocorrência mobilizou viaturas da PM e helicóptero, em Campinas – Foto: Joanna Inara

A decisão do juiz Ronaldo João Roth resultou em uma operação da Corregedoria da corporação em 23 de novembro, e os investigados tiveram a captura após ouvir de custódia. Todos os policiais alvo da investigação foram recolhidos ao Presídio Militar Romão Gomes.

"Ainda é uma fase embrionária, os automóveis estão retornando para a Corregedoria, que terá 20 dias para vencer as investigações. Depois, ela oferece um relatório sobre os fatos, o que ocorre e a efetiva participação de cada um desses policiais nas supostas empreitadas", explicou ao g1 o 2º promotor de Justiça Militar Edson Correa Batista. Segundo ele, ao menos dois homicídios elo com o grupo.

Ao determinar a prisão preventiva dos policiais, Roth considera que ela é necessária para evitar danos às investigações. O envolvimento dos suspeitos com delitos, destaca, ocorre por meio de interceptações, pesquisas, diligências, entre outros meios públicos, e contou com parecer favorável do Ministério Público para garantir uma ordem. A periculosidade dos PMs também foi avaliada.

"Na condição de policiais militares, se afastaram de seu dever funcional, quando ameaçam, interceptam ilegalmente civis, inovam locais de crime, e se integram a grupo avesso à autoridade e à disciplina militar formado para a prática de violência contra pessoas com uso de material bélico do estado, colocando em dúvida a credibilidade da instituição Polícia Militar, além de reiteradas práticas criminosas no período investigado "destaca, um dos trechos da decisão de Roth.

Uma assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) informou, em nota divulgada em 25 de novembro, que não compactua com desvios de conduta de seus agentes e defende uma "investigação rigorosa de toda e qualquer denúncia contra eles". Veja o texto na íntegra:

A Secretaria de Segurança Pública não compacta com desvios de conduta de seus agentes e defende uma apuração rigorosa de toda e qualquer denúncia contra eles. Após um minucioso trabalho de investigação, iniciado em agosto, a Corregedoria da Polícia Militar solicitou ao Tribunal de Justiça Militar (TJM) a expedição de mandados de busca e apreensão de prisão contra policiais suspeitos de irregularidades no exercício da função. As ordens judiciais foram cumpridas na última terça-feira (23) e os policiais presos foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes. O Inquérito Policial Militar (IPM) relativo aos segue fatos em curso pela Corregedoria da Instituição.

35º Batalhão da Polícia Militar, em Campinas – Foto: Edvaldo de Souza / EPTV

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