Para Padilha, Campinas pode ser polo tecnológico em saúde


Campinas tem tudo para ser um grande polo de produção de medicamentos e de tecnologias na área da saúde, encabeçando a proposta de tornar o Brasil autossuficiente nesses dois setores. Uma afirmação foi feita ontem por Alexandre Padilha, deputado federal e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), durante a visita a Sylvino de Godoy Neto, presidente do Conselho Editorial do Grupo RAC, publicador do Correio Popular. Em entrevista exclusiva ao jornal, Padilha, que já foi ministro da Saúde, destacou a capacidade do município liderar esse movimento por se tratar de um destacado centro formador de recursos humanos capacitados e de possuir um amplo e moderno parque tecnológico e inovação.

Padilha é médico infectologista e professor de Medicina em duas universidades de Campinas. Pelo menos uma vez por semana prima à cidade, e presta atendimento nas Unidades Básicas de Saúde de Campinas e Sumaré, auxiliado por alunos. Segundo o deputado, a ideia de transformar Campinas num polo produtor de medicamentos e tecnologias na área da saúde está sintonizada com os trabalhos desenvolvidos na subcomissão do Complexo Industrial e Econômico em Saúde (CEIS), da Comissão de Segurança Social e Família da Câmara dos Deputados . "O relatório final da subcomissão, passado na semana passada, defende a aplicação de estratégia para a solução de um projeto nacional de desenvolvimento, cuja premissa principal é garantir aos brasileiros o acesso universal à saúde, via Sistema Único de Saúde (SUS)", explicou o parlamentar.

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Debatido em 12 audiências e em reuniões técnicas, com soluções dos mais diversos segmentos (laboratórios públicos, empresas privadas, representantes sindicais, agências de regulação e representantes da indústria farmacêutica e de equipamentos), o relatório apresenta os desafios enfrentados pelo CEIS na pandemia, com incorporação de novas tecnologias. Destaca, ainda, o papel das instituições públicas e privadas e de outros segmentos da sociedade na construção de um projeto mais democrático e inclusivo no sistema público de saúde.

Padilha explicou que a subcomissão foi instalada com objetivo de evidenciar o debate sobre a necessidade de ampliação da capacidade nacional no setor industrial e econômico em saúde. Na visão do deputado, Campinas reúne todas as condições para se transformar em modelo para o país nesse setor. A subcomissão, que é presidida pela deputada Jandira Feghali (PCdoB) e tem Padilha como relator, traz recomendações de programas e iniciativas ao Poder Executivo, Tribunal de Contas da União (TCU) e Poder Legislativo.

Padilha destacou que uma execução desta proposta de independência nacional em medicamentos e equipamentos médicos depende obviamente do apoio do governo federal. "É preciso que a União coordene isso. Quando fui ministro da Saúde, houve apoio à expansão da indústria de medicamentos no Brasil. Houve criação de núcleos de produção de tecnologia, para adaptar a vida das pessoas com deficiência, e apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias para a saúde e para os setores de genética, equipamentos, materiais e tecnologia para a informação. Uma proposta de constituição de polos de inovação em saúde pode ser colocada em prática que o governo federal tenha vontade política para fazer isso ", completou.

Padilha ressaltou que o desenvolvimento nacional não acontecerá se não houver investimento na produção nacional integrada ao conhecimento. "O Brasil tem o SUS, plantas industriais públicas e privadas, institutos de pesquisa e universidades. A recuperação econômica do país no contexto da pandemia passa pela economia da saúde e é o desafio do Congresso Nacional, do SUS e da sociedade compor um plano de reconstrução ", argumentou. O parlamentar apoiou uma proposta de construção de um Hospital Metropolitano em Campinas, para atender à demanda da região. "Quando ministro da Saúde, apoiava esta proposta. Existe uma necessidade desse hospital para desafogar as demais unidades da região, que estão sob forte pressão", disse.



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