Jovem denuncia homofobia e omissão de boate em Campinas: ‘Chamado de viadinho’ | Campinas e Região


Um jovem den pronunciado, nas redes sociais, um episódio de homofobia sofrido por ele em uma boate que defende a diversidade e inclusão, em Campinas (SP), na madrugada deste domingo (10). Em relação ao g1, Pablo Monaquezi informou que foi chamado de "viadinho" por outro cliente da casa noturna. O agressor, segundo ele, foi amparado fora do local após a agressão verbal. Leia abaixo o posicionamento do estabelecimento.

Como muitas vezes ocorreram após Pablo fazer amizade com uma mulher, que é ex-namorada do agressor, no nos bastidores da casa noturna – uma espécie de área VIP. Eles passaram a conversar e, em um determinado momento, definir a dançar juntos.

"Foi então que esse homem, que também estava na área VIP, partiu para cima de mim chamando de 'viadinho de merda'. Ele só não me agrediu fisicamente porque eu corri e pessoas que estavam perto do seguraram", relata Pablo.

Após as ofensas verbais, a vítima conta que o agressor foi retirado do setor VIP. Pablo e um amigo, que o acompanhava, permaneceram no local. Em um determinado momento, eles decidiram ir embora. Quando desceram do local onde estavam para a pista, viram que o homem que havia feito como agressões ainda estava na casa noturna.

"Ele partiu para cima de mim de novo. Vieram seguranças para segurá-lo. Um gerente da casa também se aproximou e, sem nenhum preparo, disse que o que podia ser feito para controlar a situação, estava sendo feito pela casa. Um cliente deles havia me chamado de 'viadinho de merda', tentado me agredir, e bastava tirá-lo da área VIP? ", questiona Pablo.

O rapaz e o amigo foram para o banheiro da boate, onde decidiram acionar a Polícia Militar (PM). Em relato, Pablo conta que, quando ambos saíram do local para aguardar a chegada da corporação do lado de fora, viu o agressor sendo amparado pela exclusão da casa.

"Enquanto nós (Pablo e o amigo) saíamos da boate para esperar a polícia do lado de fora, sob chuva, porque tínhamos medo de sermos agredidos por esse homem ou pelos amigos dele, o agressor recebia água da boate para se acalmar", reclama.

'Não têm preparo para lidar'

A Caos, boate onde o episódio de agressão ocorrida, se define como um ambiente que preza pela diversidade e inclusão. O estabelecimento, conta Pablo, possui na entrada uma placa com dizeres contra a homofobia, racismo, machismo e outros crimes contra minorias.

"É uma apropriação de causas que eles não têm nenhum preparo para lidar. Se esse lugar não sabe como oferecer suporte para uma pessoa que sofreu por violência ser gay dentro da propriedade, eles não podem levantar essa bandeira", defende.

Um boletim de ocorrência foi registrado por Pablo junto à PM no local dos fatos. A vítima deve representar o caso junto à Polícia Civil nos próximos dias.

Placa com dizeres em defesa das minorias exibida na entrada da boate – Foto: Reprodução / Redes sociais

Após denunciar a agressão e omissão nas redes sociais, Pablo conhecido apoio de usuários e pessoas famosas, como a cantora Clarice Falcão.

"Meus amigos sofreram uma agressão homofóbica em uma festa e a casa não fez NADA. Se não está preparada para proteger nossa comunidade, não se aproprie das nossas bandeiras", escreveu Clarice.

Clarice Falcão se pronunciou sobre ofensa homofóbica em Campinas nas redes sociais – Foto: Reprodução / Redes sociais

Já pedido os comentários de internautas foram feitos, principalmente, na publicação contendo o de desculpas, na própria página da boate.

"Sobre a equipe de segurança, vamos bater um papo legal? Os funcionários da casa precisa entender e conhecer tais leis contra discurso de ódio. Providenciar com urgência novos treinamentos sobre pauta LGBTQIA + com toda a equipe de segurança", escreveu um.

Outra internauta pediu uma punição do agressor. "Que o responsável por atitude essa seja severamente punido! No mundo não cabe mais pessoas desse jeito", publicou.

Houve também quem reconheceu a importância do posicionamento da boate. "Importante posicionamento sempre. Homofóbicos não!", Frisa um comentário.

Em nota publicada nas redes sociais, um boate lamentou as ofensas homofóbicas ocorridas dentro da casa noturna e pediu desculpas pela falta de amparo à vítima no tempo necessário. Leia, abaixo, o texto na íntegra.

Ao g1, uma assessoria de imprensa da boate informou que o agressor não é frequentador do local. O homem, segundo a comunicação, está impedido de entrar em todas as casas noturnas do grupo.

“Gostaríamos de informar que sentimos muitíssimo pelo ocorrido sobre obter homofóbicos que um cliente sofreu de outro cliente em nossa casa na noite de ontem.

Pedimos desculpas pela falta de amparo no tempo devido após sofrer um caso de homofobia dentro da nossa casa.

Houve um erro irreparável da equipe responsável pela segurança em não retirar esse sujeito homofóbico de imediato da casa.

Primeiramente, o agressor foi retirado do ‘backstage’, uma área atrás da cabine. Em um segundo momento ele foi retirado da casa. Reconhecemos que houve falha nesse processo que deveria ter sido ágil. Mas ressaltamos: não compactuamos com homofobia ou preconceito de qualquer espécie. E o agressor ou o homofóbico não é bem-vindo em nosso clube.

Temos um posicionando claro de não preconceito, de inclusão, de diversidade. Há anos temos um trabalho nesse sentindo abrigando diversos públicos com as suas diferenças e identidades próprias.

O que podemos garantir aqui, de forma imediata, é que vamos trabalhar em cima de todos os pontos com a situação ocorrida para uma análise, reflexão e transformação direta em nossa equipe. Seja a nossa equipe fixa ou terceirizada. Ocorreram falhas sim no procedimento e vamos trabalhar para elas serem corrigidas.

Não estamos aqui para minimizar o ocorrido, mas, ao contrário, queremos usar o fato para evoluirmos e nos transformarmos para numa próxima eventual situação semelhante saibamos melhor como agir e evitar que tais ocorram.

Não temos controle externo, da imbecilidade de um homofóbico agredir verbalmente de forma tão descabida em um ato claro de preconceito e homofobia. Mas temos como dever proteger todos que gastam dentro do nosso clube para que se sintam acolhidos e seguros. E será que iremos trabalhar: para a melhoria de uma equipe apta para lidar com todas as situações de forma ágil e sem ruídos como aconteceu.

Estamos disponíveis para amparo com todas as informações sobre a pessoa que atendeu a agressão ou para qualquer outra necessidade.

E nossos sinceros pedidos de desculpas aos responsáveis ​​com a situação e todas as pessoas que de algum modo se sentiram desconfortáveis ​​com o ocorrido. ”

VÍDEOS: veja o que é destaque em Campinas e Região



Source link

Escreva um Comentário