Falha na entrega de remédio para doenças intestinais afeta pacientes da farmácia de alto custo: 'R $ 30 mil a cada 2 meses' | Campinas e Região


Pacientes que dependente de medicação na farmácia de alto custo de Campinas (SP) para tratamento de doenças intestinais graves denunciam falhas de abastecimento nesta sexta-feira (22). O remédio infliximabe é usado para casos de Crohn e ao menos outros problemas seis de saúde, e o Governo do Estado de São Paulo confirmou a saída de 26% do volume solicitado ao Ministério da Saúde.

"O medicamento infliximabe é de responsabilidade de aquisição e distribuição pelo Ministério da Saúde. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo segue cobrando o Governo Federal para regularização na entrega, que por sua vez adicionou apenas 26% do quantitativo pedido", disse o estado em nota.

O infliximabe é comercializado com o nome Remicade, que trata, além da doença de Crohn em adultos e crianças, artrite reumatóide, espondilite anquilosante, artrite psoriásica, psoríase, doença de Crohn fistulizante, colite ou retocolite ulcerativa.

A medicação é cara, custa cerca de R $ 6 mil a unidade, e há casos em que o paciente precisa de mais doses de uma só vez. A substância é administrada via venosa em algumas horas de internação.

Sistema de farmácia de alto custo de Campinas mostra falta da medicação Infliximabe em 21 de outubro – Foto: Evelyn Marques / Arquivo pessoal

5 unidades a cada 60 dias

Há 17 anos, o executivo de vendas em turismo Ricardo Morais convive com a doença de Crohn, que provoca dor, sangramentos, perda de peso e baixa da imunidade do corpo. Ele precisa de cinco unidades do remédio a cada 60 dias, mas conseguiu tomar pela última vez em julho.

"Eu uso essa medicação há dois anos, mudou porque precisoi de uma mais forte. Um mês que eles atrasaram, potencializou a minha doença. A última vez que tomoi foi em 26 de julho, vai para 90 dias. Se fosse comprar, seria R $ 30 mil a cada dois meses ", afirma.

Nesse período do atraso, Morais, de 42 anos, precisou se afastar do trabalho para cuidar da saúde e iniciar uma vaquinha entre amigos para tentar chegar no valor e ter alguma garantia da medicação.

"O meu objetivo é conseguir comprar e ter uma reserva. Não dá pra contar com o governo. Trabalho como executivo, visito mais de 100 cidades. Tenho uma vida normal, ativa. Sem a medicação, vai te minando. Comecei a entrar em desespero "

Segunda falta em três meses

A estudante de administração de 22 anos Evelyn Marques também depende do mesmo remédio. O diagnóstico veio há quatro anos acompanhado de mudanças na alimentação e de tratamentos, que também mudaram em virtude do avanço da doença de Crohn.

"Quando chegou em julho, já faltou. Eu ia pegar o remédio no dia 15 de julho e não tinha e eu só fui conseguir em agosto. Já atrasei 20 dias para tomar. A outra data de tomar era 5 de outubro. Fui no dia 30 de setembro para pegar e já tem quase 20 dias de novo ".

"Começo a sentir todas as dores, tenho dificuldade na digestão, refluxo, gases, muitos efeitos que prejudicam meu dia e até minha noite, até de madrugada. O meu organismo não está bem porque não está recebendo o remédio. É horrível viver com dor ", completa.

Aplicativo da farmácia de alto custo mostra falta do remédio em julho em Campinas – Foto: Evelyn Marques / Arquivo pessoal

A jovem precisa tomar três unidades do infliximabe a cada 28 dias – o que daria uma despesa de R $ 18 mil na rede particular. Chegou a marcar data da retirada das suas doses para a última quarta-feira (20) no aplicativo do serviço de entrega da farmácia de alto custo, mas o sistema desmarcou.

"Quando fui presencialmente, recebi a informação que não tinha o remédio e que o governo faz a compra só depois que acaba. Não deram uma previsão."

Evelyn Marques depende de remédio da farmácia de alto custo de Campinas para tratar a doença de Crohn – Foto: Arquivo pessoal

A Secretaria de Saúde de SP informou que a restante do pedido feito pelo estado ao Ministério da Saúde seria enviada em novembro, conforme sinalizado pelo governo federal. O número de doses pendentes não foi publicado.

No geral, a farmácia de Campinas realiza cerca de 15 mil atendimentos mensalmente, e ela centraliza também a distribuição para farmácias do tipo em cidades menores.

O g1 Pagamento do Ministério da Saúde sobre o motivo da falta do remédio e a previsão para normalização da entrega. Os questionamentos foram feitos a partir de quarta-feira (20) e não houve qualquer retorno.

Nesta quinta (21), no entanto, o g1 Fornecida a informação de pacientes de que algumas doses da medicação chegaram na farmácia de alto custo.

VÍDEOS: veja o que é destaque na região de Campinas



Source link

Escreva um Comentário