Com vacinação, famílias voltam a comemorar o juntas de Natal


Natália Velosa (agachada) junto com a família no Natal de 2019. O avô, falecido em 2020, usava uma regata branca a segunda pessoa da esquerda para a direita. (Foto: Arquivo Pessoal)

Inevitavelmente, depois de quase dois anos vivendo com as distâncias e como fortes inseguranças do período pandêmico, o atual avanço da vacinação na região de Campinas deve fazer com que muitas famílias se reúnam para uma celebração um pouco mais próxima e mais segura neste Natal.

Conhecida como uma data especial por reunir familiares e amigos, a expectativa de um reencontro neste ano pode ser marcante para muitas pessoas.

Este é o caso da Natália Velosa, de Americana. A família do jornalista, de 22 anos, passou por momentos muitos difíceis no Natal passado, tendo que conviver com o medo, o luto e a distância dentro da própria casa.

"O Natal passado foi bem complicado, não obteve o que comemorar. Meu avô faleceu 12 dias antes dos dados e era uma pessoa muito querida por nós, o que nos levou a reunir a família para o velório. Só não imaginávamos que meus pais ea minha tia estava com covid-19 na época ", contou.

ISOLAMENTO

A vir veio três dias depois do aparecimento de sintomas mais fortes nos pais de Natália. Ela conta que, após a descoberta, a decisão do isolamento dos familiares foi geral.

"Foi o primeiro Natal que a gente passou separados. Isso nunca tinha acontecido na vida", lamentou a jornalista
. "Foi muito difícil, pois eu e meu irmão morávamos com nossos pais, mas não fomos contaminados. Então tivemos que se isolar na própria casa, cada um dentro de um quarto".

"O PIOR NATAL DA MINHA VIDA"

Natália relembra que eram várias preocupações ao mesmo tempo: o luto pelo avô, a preocupação com a saúde dos pais e o isolamento da avó que, além de perder o companheiro, estava impossibilitada de ter o apoio das pessoas que mais amava.

"Foi muito dolorido, o pior Natal da minha vida", desabafou. "O mais difícil de tudo foi deixar minha avó sozinha, de uma hora para outra. Mas o risco era muito grande com as duas filhas contaminadas. É muito complicado quando a gente passa por uma situação de dor e luto, e não conseguimos estar lá para dar o apoio emocional para ela ", explicou.

ESPERANÇA PARA O NATAL 2021

No entanto, com um cenário epidemiológico melhor que o ano passado, a esperança de um Natal mais calmo vem tomando conta dos pensamentos de Natália e de sua família, que já está toda vacinada.

"Já está combinado, vamos nos reunir novamente", disse empolgada. "Todos estão mais esperançosos para que esse seja um Natal bom, mais feliz e mais calmo. Estamos superanimados com as comidas e tudo", brincou.

E apesar da ausência do avô, o sentimento de saudade acaba se transformando e se potencializando em afeto.

"Já estamos lidando melhor com o luto, embora ainda haja um aperto grande. Pois é uma data comemorativa que uma pessoa como meu avô vai fazer falta", disse Natália. "Mas é preciso lembrar que vamos ter uns aos outros, pois são momentos que fizeram falta", finalizou.

NOVOS REENCONTROS

E a história de um possível reencontro familiar se repete em outras famílias. Para o médico Sidney Volk da Silva, de Campinas, o Natal de 2020 também precisou ser diferente quando uma desviou sinônimo de segurança.

"Ano passado não clínica vacinados e os meus pais são idosos e comorbidades, uma decisão segura era passarmos o Natal distantes", relembrou o médico. "Então não nos encontramos pessoalmente e falamos apenas por vídeo conferência", contou.

Sidney e família durante a ceia de Natal de 2019 (Foto: Arquivo pessoal)

Neste ano, Sidney avalia que com um menor movimento do vírus e com todo mundo da família vacinado, a tendência é ser um pouco mais permissível.

"Eu espero que neste Natal a gente consiga nossos parentes queridos de uma maneira melhor, mas respeitando ainda todas as orientações", aspirou o médico. "A nossa ideia é fazer uma confraternização em local aberto, sem abusar. Não vamos juntar todo mundo ainda e vamos manter o cuidado", reforçou.

LINHA DE FRENTE

Para Volk, que trabalha na linha de frente da saúde, o momento ainda demanda uma celebração com cautela e segurança.

"Acho que a gente precisa saber que o sentimento de segurança ainda é sensível. As vacinas são importantes, mas não impedem a contaminação. Acho que ainda não estamos no momento de voltar aglomerar e viver como vivíamos antes", reforçou o médico.

NATAL MAIS SEGURO

Apesar da redução no número de casos graves da covid-19 e do avanço da vacinação na região, os riscos ainda não estão totalmente neutralizados.

É importante lembrar que, após as festas de fim de ano de 2020, a Região Metropolitana de Campinas teve um aumento de 57,73% do número de casos ainda na primeira semana de 2021, entre os dias 3 a 9 de janeiro.

Por isso, a acidade on conversou com o infectologista André Bueno, do Hospital da PUC-Campinas, que avaliou que as medidas de prevenção para os encontros neste ano continua sendo de grande importância, mas com alguns fatores de diferença.

"As recomendações básicas de higiene ainda devem ser mantidas. Mas para a ocasião de Natal, a possibilidade de se realizar esses encontros num local aberto e / ou bem ventilado, com bilhar as pessoas, é extremamente recomendado", relembra o especialista. "E para atitude aquele que apresenta quaisquer sintomas antes do Natal, a melhor ainda é não ir à celebração", disse.

VACINADOS

De acordo com a avaliação do infectologista, embora seja uma decisão conflituosa, uma das recomendações é limitar o encontro somente para as pessoas que já estão vacinadas a fim de evitar a possibilidade de aparecimento de casos mais graves.

"Pois a questão das máscaras a gente sabe que é difícil seguir com rigor os ambientes com alimentação, embora também continue sendo uma eficiente forma de prevenção", avaliou o infectologista.

TESTAGEM RÁPIDA

Para este ano, André relembra da possibilidade de realizar um teste rápido de antes dos encontros presenciais. Mas esta ação tem um custo, e pode não ser acessível para toda a população.

"Esses testes rápidos antes dos encontros também são uma boa opção para um Natal mais seguro, embora nem todos consigam realizar devido ao custo. Mas seria uma grande medida adicional", conclui.

(* Com. Supervisão de Luciana Félix)



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