Centro acolhe jovens órfãs que estão gestantes em Campinas: 'Temos que pensar no futuro delas' | Campinas e Região


Se ser mãe já é um desafio, imagine engravidar na adolescência sem uma rede de apoio? Para ajudar jovens de Campinas (SP), uma Organização Não Governamental (ONG) Aldeias Infantis SOS mantém um centro de acolhimento especializado em adolescentes que são órfãs e estão gestantes na metrópole.

A ONG, que é a maior do mundo no cuidado direto à criança e ao adolescente, oferece dez vagas em Campinas, que são preenchidas de acordo com o direcionamento de organizações públicas, como o Conselho Tutelar e o Ministério Público. A iniciativa existe há cinco anos.

“Apoio, abrigo, sororidade. Me estruturou. (…) Eu tia que lutar por mim e pelo meu filho também ”, diz uma manicure Andressa Caroline, de 21 anos, acolhida aos 16 ..

A jovem perdeu a mãe quando tinha 7 meses. Sem vínculo familiar nenhum, engravidou do Noah Miguel sem planejar.

Após ser direcionada aos cuidados da ONG, completa assistência médica, acompanhamento para consultas de pré-natal e outras orientações que nunca havido.

Gravidez precoce e pobreza

Segundo a Aldeias Infantis SOS, a gestação precoce pode induzir um ciclo de pobreza e baixa escolaridade. Dados do Fundo de População das Nações Unidas apontam que mães adolescentes ganham, em média, 24% a menos do que mulheres da mesma idade sem filhos. O fundo também indica que seis em cada dez não trabalham ou estudam.

Jorge Dantas, gestor regional do centro de acolhimento, se preocupa com este cenário. É a partir dele, inclusive, que a atuação do projeto é traçada.

"O que a gente tenta fazer é que elas se sintam realmente mães, se sintam pessoas que podem ser incluídas na sociedade. Fazer com que elas voltem para a escola. Temos que cuidar da saúde delas, da parte psicológica", diz Dantas.

No centro, além de ter a estrutura necessária para se tornar mãe, Andressa também fez cursos de informática, inglês e outros temas que a ajudaram a se qualificar para o mercado de trabalho.

Hoje, uma jovem vive sozinha com o filho e alimenta o sonho de terminar os estudos e se tornar advogada.

“Quando elas saem, fazemos festa, mas com o coração apertado. Tentamos de todas as formas apoiar, mas sabemos que lá fora é diferente ”, diz Dantas.

Brasil registra média de 400 adolescentes grávidas por ano – Foto: Reprodução / EPTV

O Brasil registra, em média, 400 mil casos de gravidez na adolescência por ano. Só em 2020, conforme a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), 23% dos bebês que nasceram no país são de mães adolescentes.

O índice aponta uma queda com relação aos últimos dez anos, mas ainda é mais alto do que a média mundial. A preocupação é maior, justamente, no caso das meninas que não têm rede de apoio.

“Essas meninas, quando chegam para nós, a gente tem que pensar no futuro delas. Não podemos simplesmente olhar para elas como um número estatístico. Elas são pessoas ”, finaliza Dantas.

Quarto do centro de acolhimento da ONG Aldeias Infantis SOS, em Campinas – Foto: Reprodução / EPTV1

VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região



Source link

Escreva um Comentário