Bordado transforma a vida das mulheres da periferia de Campinas


No início, como rodas de bordado pareciam uma terapia. Depois, elas se protegem o espaço de conversa, de autoconhecimento. Até que se transformaram em ativismo, em construção comunitária. Mas tudo isso naqueles pontinhos de maneira livre sobre um tecido qualquer? Sim, esse é o papel da arte e o grupo de 15 mulheres da periferia de Campinas (região do Jardim São Judas) comprovam como o bordado as ajuda a transformar suas realidades.

O grupo Bordadeiras Fazendo Arte já participou de exposição na Biblioteca Municipal com um livro bordado e agora está com varais de painéis bordados montados em dois locais da periferia, um na Casa de Cultura Itajaí e outra na unidade do Centro de Referência em Assistência Social 2 ( CRAS 2), no bairro São Judas Tadeu. Por meio desse trabalho, unindo arte e comunidade, elas já ajudaram a recuperar uma área ambiental onde também implantaram uma horta medicinal e, em breve, retomarão uma campanha pela saúde da mulher.

Tudo começou com as oficinas de bordados iniciadas em 2019 no CRAS – unidade que atende os bairros Ouro Preto, Marialva, J. Uruguai e S. Judas -, conta Juliana Maria de Siqueira, agente cultural da Secretaria Municipal de Cultura e doutora em Museologia. Ela lembra que "nos primeiros meses elas aprenderam pontos de bordado à mão livre e criaram um catálogo de pontos. Depois, a realidade ensinou a bordar a vida, então se transformou em ativismo".

Em março o grupo pretendeu montar uma nova exposição, mas desta vez reunindo bordados de várias partes do mundo, tendo como tema a folha da árvore Sangra D'agua, que elas conheceram recentemente na área que estão reflorestando no bairro (uma planta com uma seiva vermelha medicinal e folha com formato de coração). Juliana explica que o bordado tem uma função cultural enraizada nos povos da América Latina, onde é usado para dar voz às mulheres. Para saber mais sobre as Bordadeiras, o telefone do CRAS é (19) 3229-2299.



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