Americana investiga caso suspeito da ‘doença da urina preta’ | Campinas e Região


A Prefeitura de Americana (SP) informou nesta quarta-feira (22) que apura um caso suspeito da Síndrome de Haff, conhecida popularmente conhecida como “doença da urina preta”. A enfermidade é causada por uma toxina que pode ser encontrada em espécies de peixes e crustáceos. Saiba mais abaixo.

A paciente é uma mulher de 31 anos e está internada na Unimed de Americana. O órgão responsável pela investigação do quadro sugestivo apresentado por ela é o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE).

O g1 entrou em contato com a Unimed e a Administração Municipal para obter detalhes sobre o quadro do paciente, mas não obteve retorno até esta publicação.

‘Doença da urina preta’: o que é?

De acordo com o Ministério da Saúde, a Doença de Haff é causada por uma toxina que pode ser encontrada em peixes como o tambaqui, o badejo, a arabaiana ou em crustáceos, como a lagosta, o lagostim e o camarão.

Como ela é pouco estudada, acredita-se que esses animais podem ter se alimentado de algas com certos tipos de toxinas que, consumidas pelo ser humano, provocam os sintomas. Porém, a toxina, sem cheiro e sem sabor, surge quando o peixe não é guardado e acondicionado de maneira adequada.

O quadro descrito nos pacientes graves é compatível com a rabdmiólise, doença que destrói as fibras que compõem os músculos do corpo. Quando associada ao consumo de peixes, a síndrome é conhecida como Doença de Haff.

VÍDEO: conheça a doença da urina preta

VÍDEO: conheça a doença da urina preta

O Ministério da Saúde aponta que a hidratação é "fundamental nas horas seguintes ao aparecimento dos sintomas, uma vez que é possível diminuir a concentração da toxina no sangue, o que favorece sua eliminação através da urina". Em casos mais graves, pode ser preciso fazer hemodiálise.

Na maioria das vezes, o quadro costuma evoluir bem, mas há risco de morte, especialmente em pessoas com comorbidades. O indicado é procurar ajuda logo após o aparecimento dos primeiros sintomas para que o diagnóstico seja feito o mais rápido possível.

Não há nada específico que possa ser feito para evitar a enfermidade. Não existem formas de identificar uma toxina: ela não tem cheiro, gosto ou cor e não desaparece após o cozimento da carne. A indicação é reduzir o consumo de peixes ou comprá-los em locais onde se conhece o processo de transporte e guarda.

De acordo com um artigo escrito em 2013 por especialistas do Hospital São Lucas Copacabana, no Rio de Janeiro, o nome da moléstia tem a ver com a sua origem.

Os primeiros relatos sobre ela são de 1924 e compra da região litorânea Könisberg Haff, que fica próxima do Mar Báltico. Atualmente, esse local integra a cidade de Kaliningrado, que pertence à Rússia e faz fronteira com Lituânia e Polônia. À época, os médicos que trabalhamvam no local descrevem um quadro de início do quadro, com "rigidez muscular, acompanhada de urina escura".

Após a publicação dos primeiros relatos, foram registrados novos casos no local durante os nove anos seguintes. Eles ocorriam principalmente entre o verão e o outono e tinham um fator em comum: o consumo de pescados.

"Devido à ausência de febre e pelo rápido início dos sintomas após a ingestão de peixe cozido, acredita-se que uma doença de Haff seja causada por uma toxina", escrevem os autores brasileiros.

De lá para cá, novos surtos foram registrados em outros países, como a antiga União Soviética, a Suécia, os Estados Unidos e a China.

No Brasil, os primeiros casos foram identificados em 2008 e 2009. O momento de maior gravidade aconteceu em 2017, quando a Bahia contabilizou 71 pacientes com a doença, 66 deles na capital Salvador.



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